Sou antagônica sim, por diversos motivos. Gosto de sol, mas me irrito profundamente quando ele está muito forte e sinto saudades daquelas blusas de frio quentinhas e dos dias de chuva. Hoje tenho pavor de pensar em uma balada e imaginar aquele monte de gente igualzinha que dança igual, se veste igual, pensa abobrinhas iguaizinhos a todo mundo, formando uma só massa de trouxas que dava pra juntar tudinho e jogar no lixo, mas às vezes dá uma vontade louca de esquecer tudo isso e lá estou eu, no meio da massa, vestida igualzinha e dançando igual a elas. Sou uma consumista assumidíssima, e me alegra muito poder comprar aquilo que eu tanto quero depois de um mês de trabalho, mas me dói pensar no CAPETAlismo e no quanto ele é prejudicial para o mundo. E aí meu sonho volta pra educação e eu ainda acho que isso pode mudar, que temos o poder nas mãos de transformar tudo de uma hora pra outra. Adoro ler Nietzsche e Stephen King, mas não resisto a um bom romance do Caio Fernando Abreu (meu amor) ou da Agatha Christie. Ah, só não leio mesmo os de auto-ajuda, aí não dá, né. Felicidade não se ensina, felicidade não se vende em formulinhas mágicas para as pessoas frustradas com as suas vidinhas hipócritas. E aí eu me pego precisando ler algumas dessas formulinhas e abro o horóscopo. E acabo lendo aquela imbecilidade que às vezes me conforta um pouco. Adoro escutar os Los Hermanos, Anouk, O Teatro Mágico, Marisa Monte, Leoni, mas de vez em quando é bom escutar um eletrônico vazio e sem sentido. É bom não pensar, não admirar, apenas escutar e dançar. Tenho nojo quando meu pai fuma perto de mim, daquela fumaça de cigarro, mas fumo. Troco fácil de humores. Acho absurdo lutarmos por uma bandeira e uma fronteira, mas adoro quando algum oriental ataca os Eua. Tenho uma vontade absurda de mudar de Jacobina quando estou nos bares bebendo e nas festas dançando e vejo tanta hipocrisia, mas sou apaixonada pela natureza daqui, pela paz que aquela escadinha da concha acústica da missão dar e por tudo - não muito, mas nem tão pouco - que essa cidade de certa forma, tão abandonada pela prefeitura me proporciona. Adoro anti-heróis. Comédia romantica e terror trash. Dói pensar em estar sozinha, mas às vezes tenho pavor de encontrar um conhecido na rua e parar pra conversar. Daria de tudo pra ir e voltar escutando meu mp3 sozinha… Por essas e outras que eu acho que eu sou antagônica e insuportavelmente igualzinha a todo mundo.
Camila Borges.